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CUSTO DA PRODUÇÃO NA ATIVIDADE RURAL

INTRODUÇÃO

A análise da atividade econômica, através dos custos de produção, é um grande auxílio para a tomada de decisões na propriedade rural. No momento econômico que vive o País, com o fim de subsídios e incentivos e a globalização da economia, intensifica-se a necessidade de o produtor rural buscar informações mais confiáveis para tornar-se mais competitivo no mercado.

Apesar de algumas dificuldades com relação ao processo de apuração de dados, cada dia que passa os produtores buscam formas de melhorar os mecanismos para poder realizar uma análise econômico-financeira real e precisa da sua atividade.

CUSTOS DE PRODUÇÃO

Constantemente vimos os produtores rurais alegando que os preços de mercado dos produtos não cobrem o que se gasta para produzi-los e que a saída é mudar de atividade. Isto ocorre porque geralmente o produtor rural não planeja suas atividades, não pesquisa as necessidades do mercado, desperdiça dinheiro na compra de insumos, pagando preços altos, em época de maior demanda, ou em aquisições de maquinaria superdimensionada para seu volume de produção e área cultivada, entre outras.

A propriedade rural deve ser encarada como uma empresa, produtora de bens e serviços. Por definição, empresa tem por objetivo produzir economicamente, ou seja, com lucro. O lucro é aquela parcela de preço do mercado que supera os custos de produção. Examinando cada uma dessas variáveis, concluímos: imediatamente que a variável  mais fácil de ser dominada pelo produtor é o custo de produção, através de técnicas de pesquisas, planejamento, orçamento e controle.

As teorias econômicas ensinam que o custo total de produção é a soma de todas as despesas, feitas como pagamento, pela utilização dos recursos usados durante o período de produção de um bem.

Em outras palavras, os custos são o total dos meios de produção consumidos e a parte proporcional dos meios de produção fixos desgastados, expressos em dinheiro, durante o período de produção de um bem.

Controlar esses custos significa identificar, dimensionar e apropriar cada um dos itens desse custo com o objetivo de mostrar a situação dessa propriedade rural em relação aos rendimentos de determinadas atividades. De uma forma generalizada, o controle dos custos é uma ferramenta que permite ao produtor rural situar-se dentro de sua atividade, mostrando se o seu desempenho é rentável ou não.

O controle dos custos de produção para o produtor rural serve como elemento auxiliar de sua administração, na escolha das culturas a serem plantadas, das práticas agrícolas a serem utilizadas, das novas tecnologias a serem adotadas; enfim, direcionado-o e auxiliando-o na sua atividade.

Ao produtor rural que procura se ocupar do uso eficiente dos meios de produção, apresentam-se duas características de sua atividade: limitada disponibilidade dos meios de produção e ilimitado desejo de produzir, para satisfazer as necessidades próprias e de mercados.

Essas diferenças devem fazer com que o produtor analise com mais propriedade as condições de produção , de modo a relacionar e buscar os meios para produzir com mais eficiência.

Planilha de Custos

Após a determinação do plano de atividades para o ano, necessita-se realizar uma avaliação de cada atividade prevista, primeiramente dos custos e posteriormente das receitas, a fim de verificar o resultado.

A planilha de custos é montada com o objetivo de realizar esta avaliação por atividade, na qual se citam a área ou o lote considerado. Ela nos permite verificar o custo anual dentro do ciclo de produção, o custo por item que compõe o produto (mão-de-obra, insumos ...), bem como as porcentagens desses itens no custo total.

Apropriação dos Custos

Os custos são divididos em dois grandes grupos: Custos Diretos e Custos Indiretos.

a) Custos diretos

São aqueles que se identificam com o produto. São apropriados diretamente ao produto. São os custeios, aqueles que devemos efetivamente pagar para fezê-los. Conhece-se exatamente quanto cada grupo absorveu de custos. O caso mais simples é o insumo. Para uma determinada área de soja, precisa-se de tantos quilos de semente, que custam tantos reais. Portanto o valor dessa semente pode ser atribuída diretamente a essa área de soja.

Outro Custo Direto é a mão-de-obra. Sabe-se exatamente quanto tempo se demora para preparar, semear, tratar e colher uma determinada área. Basta calcular o custo de mão-de-obra, por hora, e atribui-lo exatamente a essa área de soja. Este caso denominamos mão-de-obra direta.

Podemos dizer que os Custos Diretos são aqueles em que houve diretamente o desembolso para efetivar a cultura. São chamados também de custos desembolsados.

b) Custos Indiretos

São aqueles não identificáveis por produto. Não há uma medida objetiva, mas há a necessidade de estimar, de distribuir os custos proporcionalmente por produto (rateio).

É o caso de se identificar o capital fixo investido na empresa para desenvolver tal atividade (máquinas, equipamentos e benfeitorias). O custo total destes investimentos deve ser amortizado anualmente, de acordo com sua vida útil. A essa amortização anual é que chamamos de DEPRECIAÇÃO, considerada como custo indireto, para que, no final de sua vida útil, possam ser substituídos por outro bem de igual valor e função.

Há, ainda, os custos de oportunidade a serem considerados, tais como os de oportunidade da terra e do capital investido na atividade. Os custos de oportunidade significam o valor que estes bens (terra e capital) poderiam render se fossem substituído por outra aplicação ou dada outra destinação.

Os custos indiretos são chamados também de custos não desembolsados, pois não houve diretamente o desembolso para efetivação da cultura. Cabe salientar que estes custos já foram desembolsados anteriormente por ocasião do investimento da infra-estrutura da empresa rural.

A depreciação no Brasil é tratada como Custo Indireto, pois se trabalha com uma taxa fixa de depreciação e se deprecia o bem estando ele trabalhando ou ocioso.

Um outro aspecto é a relevância do item de custo. No caso de materiais diversos, poderíamos identificar o quanto se utilizou para cada produto. Todavia, trata-se de um valor tão pequeno, que não compensa tal esforço. Neste caso, normalmente, trata-se como Indireto.

ESTABELECIMENTO DO CICLO DE PRODUÇÃO

A disposição diária, semanal, quinzenal, mensal, ou anual da safra ou ciclo de produção, numa planilha, é importante porque nos permite visualizar, numa simples passada de olhos, os custos diretos e indiretos dentro desses períodos.

CÁLCULO DO CUSTO DA MÃO-DE-OBRA DIRETA

Quando pensamos em mão-de-obra, entendemos que não se trata apenas do valor contratual ou do valor nominal do salário, mas também a inclusão dos encargos sociais.

Neste cálculo podemos considerar a condição de mensalista ou de diarista. Levando em conta a jornada desenvolvida neste período, chegaremos ao custo de mão-de-obra por período de tempo (horas, minutos, etc). Após chegarmos ao custo, por período de tempo, e tendo o conhecimento que determinado processo leva tanto tempo para ser realizado, obtemos o custo de mão-de-obra por operação realizada durante uma safra.

DETERMINAÇÃO DO CUSTO DOS INSUMOS

Os insumos são Custos Diretos, portanto, fica fácil de se identificá-los por atividade.

Em primeiro lugar, deve-se determinar que insumos e em que quantidade serão usados na atividade. Após, considerar, na sua avaliação, o valor atual destes insumos e distribuí-los conforme o período de utilização mais usual na atividade. Assim obteremos, ao final, o custo de cada item de insumo que compõe o custo total da atividade. Existem outros itens de custos que não se enquadram nem como insumos, nem como mão-de-obra, tais como taxas, impostos, etc. e que serão agrupados e designados de OUTROS.

TOTALIZAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS

Após obtidos os custos com mão-de-obra e insumos, somamos ambos para obtermos Custo Direto ou o custeio da atividade.

a) Depreciação

A depreciação é um tipo de custo que se calcula sobre os ativos fixos depreciáveis, a fim de que, quando estes esgotarem, haja recursos para a compra de novos. Estes valores vão servir para o uso do balanço patrimonial, bem como na determinação do custo de produção de cada cultura que tenha se beneficiado com o uso depreciado. Quando o bem depreciável é utilizado por uma só exploração, esta fica 100% do custo imputado. Caso seja utilizado por mais de uma exploração, o valor calculado deve ser rateado proporcionalmente ao uso, ou ao valor bruto da produção, ou outro julgamento, considerado mais adequado.

Três são as causas que provocam a depreciação dos bens: Ação da Natureza, Uso, Obsolescência.

b) Custo de oportunidade da terra

Quando a exploração de uma atividade situar-se em terra própria, devemos imputar um custo por esta, pois este investimento em terra poderia gerar uma renda para o seu proprietário, simplesmente aplicando este dinheiro no banco ou arrendando-a para outro produtor. Por isso, considera-se que, quando o produtor ocupa ele próprio esta terra, há um custo de arrendamento que, apesar de não desembolsar, representa um custo de oportunidade.

c) Custo de administração

Normalmente os produtores não apropriam o custo de administração. Simplesmente retiram valores necessários para sua manutenção, e quando há sobra de recursos, retiram valores maiores para compra de suprimentos pessoais. Aconselha-se que o produtor defina um valor mensal para sua retirada, e este custo seja apropriado em todas as atividades. Este custo poderá ser intitulado de "honorários".

d) Custos de oportunidade do capital

Este cálculo só é válido para capital próprio, envolvido no custeio. Para tal, recomenda-se aplicar a este capital a taxa de juros vigente, proporcional ao tempo de utilização do recurso.

DISTRIBUIÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS

Como vimos, os Custos Indiretos não se identificam por produto ou atividade, por isso há necessidade de fazer uma distribuição proporcional por produto, de forma arbitrária (rateio), considerando algum critério previamente estabelecido.

a) Rateio proporcional anual da área

Este critério torna-se útil para aquele produtor que não tem uma Contabilidade Gerencial e que não dispõe de controles mais apurados sobre a produção, a receita e os custos diretos de um ano agrícola.

b) Rateio proporcional à receita anual obtida

Parece ser um critério bastante justo, porém não separa aquelas atividades em que se obtém uma rentabilidade maior, utilizando uma estrutura de produção menor; ou seja, pode-se estar aliviando o custo indireto em atividade com baixa rentabilidade e aumentando o custo indireto em atividade com alta rentabilidade.

c) Rateio proporcional aos Custos Diretos

Este critério vem da idéia de que, quanto maiores forem os custos diretos, maior será o uso da estrutura de produção, advindo dos custos indiretos.

TOTALIZAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS

Obtemo-los somando a depreciação total, custo de oportunidade da terra, custo de administração e custo de oportunidade do capital.

CÁLCULO DO CUSTO TOTAL

Obtemo-lo somado o total dos custos diretos com o total dos custos indiretos. Este valor nos mostra o total do custo para produzirmos determinado produto, incluindo nele todos aqueles fatores que, de forma direta ou indireta, contribuíram para esta produção.